segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os cuidados com a pele em cada idade

Não deixe para depois. Prevenir é a melhor indicação contra o envelhecimento




Foto: Getty Images 
Cremes, preenchimento, laser, peelings e quem sabe até uma puxadinha aqui e ali. A medicina e a indústria cosmética oferecem muitas soluções eficazes para driblar o envelhecimento e as imperfeições da face. Hoje é possível corrigir a textura e disfarçar rugas com procedimentos pouco invasivos e cada vez mais acessíveis. O rosto de estrela da televisão não é distante da realidade.


Cada idade pede um tipo de cuidado
Um dos pontos mais importantes para uma derme bonita e saudável é a prevenção ao longo do tempo, e isso envolve principalmente limpeza, hidratação e proteção solar. Quanto mais cuidados, menos invasivos serão os tratamentos para combater o envelhecimento no futuro, segundo o cirurgião plástico Romeu Fadul, especialista em rejuvenescimento. “Quem faz o preventivo consegue ir mantendo bem sem precisar de procedimentos cirúrgicos”, diz ele. E mesmo quando as incisões são necessárias, elas estão muito menores e com resultados comparáveis aos procedimentos maiores, de acordo com o cirurgião.

Os danos de “roubar” na idade dos cremes
Segundo a dermatologista Cristiane Braga, cada tipo de dano e faixa de idade precisa de um cuidado específico. Não adianta uma mulher de 30 anos usar creme para 60 anos em busca de obter vantagem. Um creme muito concentrado de ativos anti-idade, por exemplo, pode trazer mais problemas que benefícios. “Um cosmético para alguém de 60 anos é muito gorduroso para alguém de 30 e pode desencadear acne. O produto é ideal para cada faixa etária, senão o tiro sai pela culatra“, diz Mauricio Pupo, professor de cosmetologia. Além disso, é comum que os produtos concentrados apresentem ácidos na fórmula, e isso pode causar irritações e nenhum resultado positivo para as mais jovens.

Tratamentos para cada idade
Saber envelhecer faz parte do jogo. Querer ter pele de 20 anos aos 50 é desejo ilusório. É daí que surgem aqueles rostos esticados ou desfigurados por procedimentos exagerados. No entanto, alguns cuidados frequentes garantem a beleza da pele de forma harmoniosa no decorrer dos anos. Veja quais são eles de acordo com cada faixa de idade:

20 anos: Proteção solar, limpeza e hidratação suave são os pontos mais importantes. A higienização deve ser feita com produtos não agressivos e sem álcool. Além disso, é comum a formação de acne nesse período e, nesses casos, é preciso fazer um tratamento específico de acordo com orientação do dermatologista.

30 anos: Boa proteção solar e hidratação previnem marcas superficiais e mantém a pele vistosa e brilhante, com aspecto jovial. É hora para começar a usar cremes específicos anti-idade e nutrir a pele. É possível que já existam algumas manchas do sol e cicatrizes de acne no rosto, que podem ser tratadas com laser ou peeling.

40 anos: Hidratação, limpeza de pele e ginástica facial são indicadas, além do uso de cremes anti-idade no período noturno. A aplicação moderada de toxina botulínica pode ajudar a amenizar linhas e rugas mais acentuadas e prevenir que a pele fique marcada. O fumo é o principal vilão do envelhecimento e isso aparece claramente nessa fase da vida. Cuidados com alimentação devem ser redobrados e, segundo Cristiane, é recomendável suplementação oral, com nutricosméticos. Como nas outras fases, a proteção solar é indispensável.

45 anos: Neste estágio, a face já tem uma queda de gordura e, para reverter essa flacidez e estimular o colágeno, são recomendados tratamentos com aparelhos que realizam uma contração da pele, laser, luz pulsada ou ácido retinóico. De acordo com Romeu, a rádiofrequência é boa opção para levantar a área da sobrancelha. “As artistas americanas fazem isso semanalmente junto com outros procedimentos”, diz. Maurício indica o uso de cremes com hormônio vegetal, como isoflavona de soja.

50 anos: Será preciso aumentar o rigor com a proteção solar e adotar um fator mais alto. Cristiane indica um aumento da frequência das sessões de laser, infravermelho e radiofrequência, além de um peeling anual para homogeneizar a textura e a coloração cutânea. De acordo com os sinais da pele, já é possível pensar em injeções que dão volume e preenchem os sulcos – para isso são usados o ácido hialurônico e enxertos de gordura. Nesta fase, muitas pessoas exageram em busca da juventude perdida e acabam piorando ainda mais o aspecto da face.

60 anos ou mais: Continuam os cuidados da fase anterior, porém agora com mais intensidade. Para quem não fez tratamentos preventivos, será necessário recorrer a procedimentos mais invasivos e cirurgias plásticas para um rejuvenescimento mais aparente. Se o grau de flacidez cutânea for muito avançado, é possível fazer cirurgias pequenas, incluindo a área do pescoço.



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Novidades do congresso da Academia Americana de Dermatologia

As novidades que vão chegar às prateleiras, aos consultórios de dermatologia e às clínicas de estética foram apresentadas no último e mais importante evento anual da Academia Americana de Dermatologia (AAD ou American Academy of Dermatology), entre os dias 04 e 08 de fevereiro de 2011.


Para conferir de perto, a dermatologista Denise Steiner, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, esteve presente e reuniu as principais técnicas e produtos promissores apresentados durante o evento científico.

Melasma - Foram apresentadas duas novas opções para o tratamento de manchas e melasma (tipo de mancha que aparece em qualquer mulher, sendo mais comum em gestantes).

Uso (tratamento 1): A promessa está numa enzima chamada lignina peroxidase. A proposta é um produto em forma de creme que age quebrando a melanina (responsável pela pigmentação da pele) sem causar toxicidade. O produto pode ser usado duas vezes ao dia, inclusive em grávidas, sem causar irritação ou efeitos colaterais como os do acido retinóico e hidroquinona. A promessa é uma pele mais clara e com aparência mais homogênea após um mês de uso diário.

Uso (tratamento 2): Um sistema de clareamento com 3 produtos: um limpador, um produto contendo a decapeptídeo e um creme à base acido glicólico para facilitar a penetração. O decapeptídeo atua inibindo a tirosinase, enzima responsável pela produção de melanina. Nas pesquisas realizadas"in vitro" o decapeptídeo mostrou-se 17 vezes mais potente que a hidroquinona, sendo mais seguro também.

Toxina botulínica: a tão aclamada toxina botulínica apareceu com uma formulação diferenciada: o uso tópico.

Uso: a ideia é realmente aplicar a própria substância diretamente sobre a pele, em forma de gel-creme. No entanto, o produto ainda está em fase de testes (fase 2), mas já se tornou polêmico e revolucionário ao mesmo tempo. Uma das razões é a dificuldade de penetração de qualquer produto tópico até o músculo. “Se o produto for eficaz, será interessante, especialmente para o tratamento da hiper-hidrose”, afirma a dermatologista Denise Steiner.

Cicatrizes: “Há dois cicatrizantes novos que parecem ser muito interessantes para o tratamento das cicatrizes hipertróficas e do queloide. Esses eventos pressupõem que o processo de cicatrização está acelerado e fora de controle”, afirma a dermatologista Denise Steiner.

Uso (tratamento 1): Esse tratamento considera que, segundo pesquisas, a substância avotermin (TGF beta 3) apresenta-se diminuída nas cicatrizes. Em estudos, a aplicação do avotermin logo após o fechamento de cortes ou cirurgias melhorou 70% dos casos.

Uso (tratamento 2): Outra substância promissora é a interleucina 10, que também apresenta-se diminuída em cicatrizes hipertróficas (que após um processo normal de cicatrização apresenta um supercrescimento do tecido da região, como em acnes graves). A aplicação é similar à do avotermin.

* Os produtos ainda não estão disponíveis no Brasil
LasersPara lipoaspiração - “Os lasers estão cada vez mais específicos a fim de acertarem melhor o alvo”, explica a Dra. Denise Steiner. Segundo a dermatologista, o laser para lipoaspiração provocou bastante interesse na classe médica. “Trata-se de um laser de iodo que emite dois comprimentos de onda simultaneamente, 924 nm e 975 nm, por meio de uma cânula que penetra na pele através de um corte de 1 cm. A dermatologista alerta que para a realização do procedimento é preciso anestesia local e profissionais capacitados, já que o plano da luz deve ser respeitado.

A ação do aparelho justifica a destreza em seu uso: “O comprimento de onda 924 nm é específico para gordura e prova lipólise, enquanto o 975 nm estimula o colágeno”, explica a dermatologista Denise. Isso porque o objetivo é realizar a lipoaspiração e, ao mesmo tempo, melhorar a flacidez da pele. Além disso, o procedimento pode ser realizado em áreas menores também, como queixo, braço e culote, sem a necessidade da aspiração, já que a luz emitida ajuda a metabolizar a gordura local. O laser já está chegando ao Brasil, mas poucos profissionais têm experiência em seu manuseio.

Contra flacidez e estria - O laser de CO2 fracionado ablativo (aquele que atinge as camadas mais profundas da pele) foi assunto de diversas palestras durante o congresso. “O destaque ficou por conta de um aparelho com duas ponteiras, sendo que uma delas atinge profundidades maiores”, conta Dra. Denise Steiner.

Uso (tratamento 1): Sua ação na derme profunda melhora a flacidez, mas também provoca algum dano à epiderme (descamação). No entanto, se utilizado em energias e densidades baixas pode ser aplicado na realização de peelings em áreas sensíveis, como pesçoco, mãos e colo.

Uso (tratamento 2): Outra aplicação que se mostrou eficaz, segundo a dermatologista, foi em relação ao tratamento de estrias. “As estrias têm sido tratadas com algum sucesso com os lasers fracionados não ablativos. Mas o fato de o CO2 fracionado ablativo atingir a epiderme também apresentou melhores resultados”, explica a médica.

Radiofrequência fracionada contra a flacidez - A tecnologia de radiofrequência fracionada emite calor para a profundidade da pele, melhorando a flacidez. Esse tipo de tratamento com ponteiras não ablativas já têm sido utilizado no rosto e corpo.
Durante o Congresso da Academia Americana de Dermatologia discutiu-se o uso de ponteiras de radiofrequência que também atingem a epiderme (não apenas a derme, camada mais profunda). “A aplicação da radiofrequência bipolar estimula o colágeno, provocando algum grau de ablação (descamação) mas sem provocar tanto calor à pele”, afirma a dermatologista.

Cabelo, cílios, sobrancelhas - O bimatropost, um análago da prostaglandina, substância muito utilizada no tratamento de glaucoma, para a aplicação no folículo piloso de cabelos, cílios e sobrancelhas para estimular seu crescimento.

Além da aplicação em cílios, já aprovada pelo FDA (órgão regulatório americano do setor), “a novidade apresentada no congresso são os estudos que comprovam sua eficácia em sobrancelhas e até mesmo na alopecia androgenética do couro cabeludo (queda de cabelo de origem genética)”, explica Denise Steiner. Os resultados da aplicação nesses locais mostrou que a diferença no comprimento e na espessura dos cílios pode ser percebida após 40 dias de uso, uma única vez ao dia. Estudos preliminares garantem que o produto é seguro, mas pode escurecer a pele local e, raramente, a íris.


Fonte: Portal Fator Brasil